NOMEADO

Carlos Bica

Um saxofone, um acordeão, um contrabaixo e um par de gira-discos… e Beethoven?

A abordagem “romântica” e sobretudo melódica de Carlos Bica, que se inspira no jazz, na música erudita e na tradição popular portuguesa; o discurso elegante e muito livre de Daniel Erdmann, assente na tradição do jazz mas empenhado em encontrar novos caminhos; as muitas cores convocadas pelo DJ Illvibe (Vincent von Schlippenbach), um garimpeiro à procura dos mais loucos fragmentos de sons, a musicalidade fascinante de João Barradas, um dos mais conceituados e reconhecidos acordeonistas europeus, capaz de abraçar as mais diversas linguagens musicais – esta é a combinação invulgar que se propõe redescobrir o legado de Ludwig van Beethoven.

Carlos Bica é um dos nomes do jazz português com maior projecção além-fronteiras. Aprendeu a tocar contrabaixo na Academia dos Amadores de Música, em Lisboa, e na Academia de Música de Würzburg, na Alemanha. Foi membro da Orquestra de Câmara de Lisboa, bem como de várias orquestras de câmara alemãs, tais como a Bach Kammerorchester e a Wernecker Kammerorchester. Fez muita música improvisada, trabalhou e gravou na área da música popular portuguesa com Carlos do Carmo, José Mário Branco, Camané para citar apenas alguns, e colaborou com músicos como Ray Anderson, Kenny Wheeler, Aki Takase, Kurt Rosenwinkel, John Zorn, Lee Konitz, Mário Laginha, Maria João, Mathias Schubert, Claudio Puntin, João Paulo Esteves da Silva, Gebhard Ullmann, David Friedman, Alexander von Schlippenbach, John Ruocco. Entre os vários projectos musicais que lidera, para além de intervenções em áreas como a dança, o teatro e o cinema, o seu trio AZUL com Frank Möbus e Jim Black, e mais recentemente o trio com o DJ Illvibe nos gira-discos e Daniel Erdmann no saxofone, contribuem para fazer do contrabaixista e compositor uma referência na cena Jazz europeia.

Daniel Erdmann nasceu em Wolfsburg, Alemanha. Toca saxofone desde 1983 e fez os seus estudos na classe de Jazz da Hochschule für Musik Hanns Eisler, na sua cidade de adopção, Berlim. Após uma bolsa do Conselho Superior de Cultura franco-alemão, mudou-se em 2001 para Paris e mais tarde para Reims, onde criou a associação cultural franco-alemã DAS ATELIER. Com os músicos Théo Ceccaldi e Jim Hart, fundou o grupo Velvet Revolution, cujo álbum de estreia na BMC Records ganhou o prémio anual da crítica alemã e um Echo Jazz. Foi eleito “Músico Europeu do Ano 2019” pela Académie du Jazz em Paris, recebeu o “SWR Jazzpreis 2020” e o “Deutscher Jazzpreis” em 2021. A crítica internacional não hesita em considerá-lo um um dos mais inventivos músicos da atualidade.

DJ Illvibe, nome artístico de Vincent von Schlippenbach, nasceu em Berlim e é filho do prestigiado pianista de free jazz Alexander von Schlippenbach. Tendo aprendido a tocar vários instrumentos desde a infância, Illvibe começou a interessar-se pelo mundo do DJing aos 14 anos, tendo começado a usar o gira-discos e os seus discos como instrumento musical enquanto membro do projecto de Hip Hop – Lychee Lassi. Com a possibilidade de manipular os sons à sua vontade, trabalhando com eles directamente ao vivo, prolongando-os e encurtando-os, cortando-os e colando-os novamente, com a possibilidade de alcançar universos musicais com um único loop ou um único compasso, com uma única nota, consegue dar sempre uma nova direcção à música nas sessões de improvisação.

Illvibe não é um coleccionador de discos sentimental, simplesmente usa os seus discos de vinil, retira o que encontra neles – trabalha com eles. Quando Illvibe abre a sua mala de discos, encontra dentro dela todo o universo da música. Encontra grandes vozes, instrumentos a solo, orquestras inteiras, kicks, snares e bass drums ou canto difónico tibetano.

João Barradas é um dos mais conceituados e reconhecidos acordeonistas europeus, movendo-se, simultaneamente, entre a música clássica, o jazz e a música improvisada.

Venceu alguns dos mais prestigiados concursos internacionais para o seu instrumento na área da música erudita, dos quais se destacam, o Troféu Mundial de Acordeão (CMA) o Coupe Mondale de Acordeão (CIA), o Concurso Internacional de Castelfidardo e o Okud Istra International Competition. Enquanto intérprete teve a seu cargo dezenas de estreias mundiais para acordeão solo escritas para ele por alguns dos mais destacados compositores europeus.

Em 2016 grava, com a editora nova iorquina Inner Circle Music, o seu primeiro álbum enquanto líder, “Directions”, que conta com a produção de Greg Osby e foi considerado um dos melhores álbuns do ano pela revista Downbeat, aparecendo na sua prestigiada lista “Best Albums of The Year”. Foi nomeado ECHO Rising Star pela European Concert Hall Organization para a temporada 2019/2020. Nessa mesma temporada a prestigiada BBC Music Magazine nomeou-o também como um dos seus Rising Stars. Em 2020, João Barradas obteve o 2º Prémio do Concurso de Composição SPA|/Antena 2 com a sua obra “The Edge of the Sea” para Orquestra Sinfónica.

NOMEAÇÕES

Melhor Álbum Jazz